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me twitta que eu te twitto

Sem saber o que twittar, digo, postar, fiquei pensando no quanto a internet está irremediavelmente presente na minha vida. Bla bla bla. Vocês já conhecem essa história né, então não me darei ao trabalho de traçar um panorama da web do início até aqui. Fiquei pensando nisso agora porque no domingo fui assistir A Era do Gelo 3 – muito legal, aliás – com três amigos que fiz através da internet. Amigos estes que em princípio têm afinidades fotográficas comigo, digamos assim. Karina Kohl, Omar Junior e Paty Souza são do Sul Foto Clube, como eu. E são pessoas queridas e divertidas. Afinal, não fosse assim eu não aceitaria ir ao cinema com eles :P


Internet. Pois heis que os amigos cibernéticos vão ao cinema mas não se desligam do mundo virtual né. Omar registrou tudo o que fizemos através do seu celular chiquetoso. Detalhe: twittando tudo. Aliás, eu ainda não tinha falado do Twitter aqui pois não acho necessário. Embora muita gente me pergunte “afinal, o que é o Twitter?”, eu sempre acabo respondendo com o antigo slogan da Unisinos: pra saber tem que viver =P


Sempre que surge algo novo na net – principalmente uma rede social ou algo do tipo – eu me cadastro. Porque sou curiosa e sociável, quase sempre. E gosto de experimentar, quase sempre também… Com o Twitter não foi diferente. Tinha o cadastro há meses mas só agora me viciei. É, viciei. Nada sério também. E acho que daqui a pouco passa, mas é divertido e até tem uma certa utilidade.


Foi divertido ver o Omar twittando nossa espera pelo cinema, a pipoca gigante na sala escura e o chopp escuro pós-cineminha. Foi sim. E foi mais divertido chegar em casa e retwittar tudo! Mas analisando friamente, o Twitter é o legítimo BBB da internet. Nem blog, nem orkut, nem msn são tão instantâneos quanto o Twitter. O troço é o rádio da internet. Falo isso porque o rádio consegue ser o mais instantâneo veículo clássico de comunicação. E no rádio os textos têm de ser curtos também. Aliás, o sucesso do site está justamente no fato de que os usuários não podem escrever muito em cada twittada. E vou confessar que isso acaba sendo um bom exercício de síntese, o que não deixa de ser útil a um jornalista né.


Enfim, seguirei twittando a vida adoidada até quando estiver a fim. Ah, dá uma olhada em uma das fotinhas.

http://www.tweetphoto.com/6a8985

http://www.tweetphoto.com/6a8985

Existe limite para a incoerência?

Mediocridade. Se existe algo mais irritante do que isso, me contem. Agora com essa história do diploma de Jornalismo não ser mais necessário para obtenção do registro profissional, os medíocres brotam por todos os cantos do país. Não, eu não queria escrever sobre este assunto, juro. Muito já foi escrito, dito, gritado. Mas foi inevitável comentar a respeito do que aconteceu há pouco comigo. Seja qual for a minha opinião ou a de outrém, do que eu não abro mão é do respeito.

Recebi um spam. Um rapaz divulgando seu blog, sobre o Internacional. Eu não o conheço, nem sei como ele tinha meu endereço de e-mail. O fato é que ele escrevia assim:

Amigos

estou me aventurando pelos caminhos do jornalismo
me aventuro na entrelinhas da bola desde Dezembro passado escrevendo diariamente sobre o Sport Club Internacional, mas enganan-se aqueles que pensam que escrevo um conteúdo extremamente radical e fanático, não. escrevo baseado em notícias e informações coletadas ao longo do dia nos mais diversos veículos de comunicação. dêem sua opinião sobre a qualidade do material publicado
a opinião de todos será avaliada com muito carinho
aguardo o acesso de todos

“A opinião de todos será avaliada com carinho”. Pois bem, respondi. Perguntei se a pessoa em questão é jornalista ou se pegaria carona na decisão do STF. Perguntei mesmo. Ele respondeu com alguns argumentos, dizendo que já escrevia há tempos, que tinha matérias publicadas em veículos de imprensa. Como é sabido, até pouco tempo atrás, só assinavam matérias jornalistas com registro profissional e, portanto, diplomados. Citei esse detalhe ao rapaz. Fui direta mas respeitosa, como quem me conhece sabe que sou. A resposta? Por respeito aos meus leitores, não a copiarei aqui. Mas digo a vocês que continha dois xingamentos. Daqueles.

Depois disso, apenas respondi que ele é muito educado e o parabenizei (a ironia é a melhor luva para estapear alguém). Ele, um pouco arrependido, enviou novo e-mail pedindo desculpas (!!), dizendo-se impaciente com a pressa de julgamento que as pessoas fazem. Também me enviou o texto do excelentíssimo ministro que argumentou contra o diploma. Como se eu já não conhecesse os argumentos do STF… enfim, segue a minha resposta abaixo:

Meu caro, a questão não é julgamento. Em nenhum momento eu te julguei. Eu te fiz perguntas.
Se você não sabe discutir e não está pronto para questionamentos, reveja suas escolhas. Principalmente a escolha que fez de divulgar o seu blog.
E eu não aceito desculpas de quem se refere a mim como vc se referiu, de forma ofensiva gratuitamente, sem me conhecer e aí sim, fazendo julgamentos. Eu sou jornalista, mas acima de tudo sou uma pessoa educada e que sabe discutir com maturidade.

Mas, vou te responder:

Faculdade não é questão de garantia de emprego. Não devemos buscar qualificação para garantir emprego mas sim para garantir que a informação que passamos às pessoas é digna de confiabilidade. Quando falo em qualificação, falo em qualidade de informação. E eu busquei me qualificar pensando nisso. Faculdades são caras? Sim, sei bem disso. Por isso levei 7 anos para me formar, fiz crédito educativo, mas cheguei ao final. Quando queremos, conseguimos.

Eu conheço todos os argumentos do STF. E acho que estão equivocados. Redondamente equivocados. Jornalismo NÃO é arte, NÃO é liberdade de expressão. Fazer jornalismo não tem a ver com liberdade de expressão, tem a ver com apurar os fatos de forma correta. Tem a ver com técnicas para se fazer isso da melhor forma possível. Todo mundo pode se expressar e para isso existem os espaços específicos na imprensa. Jornalismo NÃO é manifesto do pensamento. Jornalismo é um serviço para a sociedade e deve ser utilizado por quem está preparado para tal. Não confunda, já que o STF já confundiu, jornalismo com liberdade de imprensa. Liberdade de imprensa se refere à liberdade que os veículos de imprensa devem ter para apurar os fatos que ocorrem na sociedade. E esse termo existe pq historicamente sabemos que nem sempre essa liberdade existiu. Do mesmo modo, liberdade de expressão não pode significar que pessoas despreparadas queiram trabalhar como jornalistas. Se for assim, vamos discutir a necessidade de diploma para atuar com psicologia, com tantas outras profissões… Aliás, o caminho até a discussão a respeito de outras profissões está mais curto do que muita gente pensa. Mas, como todo mundo confunde jornalismo com “gostar de escrever e ler”, então esse episódio lamentável da não obrigatoriedade do diploma em Jornalismo passa batido e nós, jornalistas, ficamos taxados como “sensacionalistas, dramáticos” e outras coisas do tipo.

Respeito outras opiniões – inclusive as suas – quando fundamentadas, mas essa é a minha.

Adeus e um abraço.

Dito isso, despeço-me. Não tenho a necessidade de dizer quem ocasionou esta discussão. Não aqui no blog pelo menos. Mas quem quiser conhecer o blog dessa pessoa, pode me pedir o endereço.

Nova casa, velhas saudades

Às vezes eu sinto saudade antecipadamente. Sabe aquela coisa de olhar para o lado e sentir saudade da comida da mãe, mesmo ela estando ali? Pois é. Sem falar em outras coisas… O fato é que tenho me sentido assim.


Sempre morei com meus pais. Não por falta de vontade de viver sozinha, mas por falta de oportunidade. Priorizei a minha formação e não consegui me sustentar fora da casa deles. Aquelas coisas pelas quais muita gente passa. Não foi diferente comigo.


Eu sempre fui muito independente. Filhos únicos não têm só o privilégio da atenção exclusiva, mas principalmente a oportunidade de aprenderem a encarar certas coisas sozinhos, desde cedo. Não sei dizer como é ter um irmão pois não o tenho. Sei dizer que não tê-lo me fez aprender a não precisar de um. Pode soar arrogante mas não é. Quando me perguntam se eu gostaria de ter irmãos, digo que sim. Gostaria que meus pais tivessem tido mais filhos. Mas não tiveram. E eu sobrevivi, afinal. Mas é difícil sim a vida de um filho único. São muitas responsabilidades e expectativas alheias para administrar.


Enfim, nessas noites estupidamente frias dos últimos dias fico pensando no meu apartamento e torcendo para que ele não seja frio. Eu sou tão friorenta. E o lençol térmico não vai comigo. E também não vai comigo a sopa quente da minha mãe. Não sempre, ao menos. Porque de vez em quando ela vai para o meu congelador, ah se vai!


Toda mudança causa esse medo. Seja de emprego, de casa, de namorado. Acho que é sempre assim né? Passa um filme na mente. Um filme que inicia lá no passado, anos antes disso tudo. Quando eu sequer imaginava que as coisas estariam do jeito que estão. E tantas coisas não estão mesmo como imaginei…


O fato é que a ansiedade louca que inicialmente tomava conta de mim se abrandou. Sei que está cada vez mais perto da hora de levar minhas poucas coisas para o meu larzinho. E sabendo isso, me acalmei. Sei também que posso e vou fazer tudo aos poucos, no meu tempo. Até que tudo fique com o meu jeito e eu, de fato, me sinta em casa. Enquanto isso, é reconfortante saber que ainda terei pra onde voltar. Sempre é.

Tanto em tão pouco tempo

Tem umas coisas acontecendo dentro de mim. Umas coisas que são boas mas que ao mesmo tempo eu não sei direito o que são. E não sei como lidar com elas. São sentimentos que não saem aqui de dentro. Pensamentos que não vão embora. Não é que sejam ruins. Eu só não sei o que fazer com eles. Sabe?


Tenho o que dizer sobre a minha casinha. Mas só consigo pensar naquele sábado à noite. Naquele vinho, naquelas músicas, naquele samba. Naqueles olhos. Naquele riso maroto. Naquele toque. Enfim… o que está havendo? Onde está a serenidade que estava aqui até há pouco?


Não dá pra escolher. Simplesmente não me sinto capaz. Não desta vez. Eu nem sei ao menos se do outro lado há sequer uma lembrança do que aconteceu. Eu só sei de mim. Só sei dessa vontade. Essa vontade de me agarrar a isto que consegue mexer com as minhas quase inabaláveis estruturas. Essa vontade de ir lá e ver o que acontece. Mesmo que no final eu perceba que nada vai acontecer…


Será? Será possível algo tão forte acontecer só para um de nós? Será? Tantas perguntas. Nenhuma resposta. Ainda não é a hora. Mas ela chegará.

Espasmos

fireO inatingível parece ser sempre mais interessante. Mais excitante. São coisas que só mentes igualmente masoquistas conseguem entender. Aquele desejo que cresce sem que tu saibas de onde vem. Aquele troço sem sentido algum. E, curioso isso, parece que as melhores sensações são aquelas que não têm sentido e que nos tiram do eixo. Vai crescendo lá dentro e tu só consegues te concentrar em se esforçar para fazer esse vulcão amansar. Amansar. Será mesmo?


É como se fosse uma fera indomável tomando conta da razão. Sai razão e fica só instinto. Porque lá no fundo somos animais instintivos. Alguém, em algum momento da história, nos domesticou. Ou, nós tivemos de domesticar-nos.  Como saber?


Quando tu ficas sentindo estes espasmos de insensatez, fica difícil escolher o melhor caminho. Fazer acontecer ou deixar pra lá? Fazer acontecer como? Deixar pra lá como? Quando já está se sentindo como um gato curioso que mesmo ante o perigo, continua avançando só pra sanar a curiosidade, já eras. Quando quer fugir de algo é porque já está envolvido até o pescoço. Seja no que for. Seja com quem for…


Existem regras para os sentimentos que as coisas e pessoas te provocam? Existe tempo certo? Tempo suficiente? Tem uma coisa consumindo por dentro. Uma curiosidade. Só consigo nomear assim. Neste momento, só assim. Porque, sabes… há coisas das quais não dá pra fugir. Mesmo que elas te façam sofrer lá na frente. Talvez sejam aquelas tais “coisas pelas quais a gente tem que passar”… Mas, e se não te fizerem sofrer? É. Para tudo há sempre, no mínimo, duas possibilidades.


Eu quero. Não sei como nem onde nem quando. Não sei nem se pode ser. Não sei como farei isso acontecer. Só sei que quero. Simples assim. Sem ilusões, nem promessas. Quero viver isso. Mesmo que seja só por um momento. Não suporto passar vontade. E não é dessa vez que farei isso…

O registro – parte 1

por anamokarzelChovia fino em Porto Alegre na tarde do dia 16 de junho de 2009. O trânsito fica aquela delícia quando chove. Todo mundo enlouquecido, querendo passar por cima um do outro. A Mauá, aquela zona de sempre. Entro em uma das ruas que dão acesso à Rua Siqueira Campos. Passo por uma vaga. Droga! Não deu pra voltar. Entro na Uruguai, Mauá de novo. Estaciono ao lado do Santander Cultural. Flanelinhas me fazem aquele sinalzinho de “tá bem cuidado”. Aham.

Saio caminhando em direção ao Tabelionato. Lá me esperam o corretor de imóveis, a vendedora e uma outra corretora de imóveis. Meio molhada e com calor encontro os três e nos dirigimos à uma salinha. Eu já estava preparada para pagar o tal do ITBI. Já sabia até o (alto pra cacete) valor. Só não sabia que teria de ir ao banco pagá-lo! Tive vontade de matar o “meu” corretor. Sujeitinho incompetente, que não soube me dizer o quanto eu gastaria para lavrar a escritura no tabelionato e não foi capaz de me avisar que eu teria de pagar este imposto no banco. Depois ainda fiquei sabendo que o boleto do ITBI já estava pronto de manhã! Raiva enorme. Mas, ok, fui ao meu querido banco e paguei no caixa eletrônico. Para chegar até o banco, passei pelo Largo Glênio Peres que ficou muuuuito melhor sem os camelôs por lá, aliás.

Retorno ao tabelionato, leio a escritura. Uma porção de termos diferentões mas o principal é que este é um dos documentos que comprova a compra do apartamento. Tá lá, ou melhor, aqui, o papel com o meu nome. E, é óbvio, eu precisaria pagar a taxa da escritura. E em se tratando de tabelionatos eu sei bem que nada é barato. Algumas centenas de reais depois, saio com a escritura debaixo do braço. Mas essa nem é a definitiva. É só mais um meio de tirar uns dinheiros do povo. Depois que estivermos com um outro documento, ainda é preciso encaminhar a escritura junto ao registro de imóveis (sim, mais taxas).

Eu sei que sou uma sortuda. Não só por contar com uma família que sempre me ajudou, com um pai que sempre lutou muito pelo que teve e que por isso conseguiu nos deixar condições de alcançar estas conquistas, mas principalmente porque a maioria das pessoas demora muito até adquirir o seu teto. E eu seria uma dessas pessoas. Com certeza seria, não fossem os meus pais. É por causa deles que esta escritura contém o meu nome. E isso não há como pagar. Mesmo que um dia eu possa devolver todos os centavos que minha mãe tem me doado nesse processo todo de taxas e mudanças, acho que nem assim eu conseguiria pagar de fato essa “dívida”. Mas eu prometo que vou tentar.

Está cada vez mais perto o dia de entrar naquele predinho de esquina, naquela salinha e naquele espacinho que eu vou chamar de meu. Cada vez mais perto!

O último antepassado

Meu avô morreu. Ontem, 09 de junho de 2009. Agora não tenho mais avós vivos. E eu nada sinto a respeito. Nada. Vazio. Falta de existência de algo. É só isso, pura e simplesmente.

Ele, o meu avô paterno, deve ter me visto – e eu a ele – umas duas ou três vezes na vida. Ele não era o tipo de procurar os netos. Não procurava nem o filho. Nunca desejei seu mal, nem seu bem. Ele era uma pessoa que eu sabia que existia e que tinha algum laço de sangue comigo. Só. Nunca senti a necessidade de que fosse diferente disso.

Ele nunca foi presente. Nem na vida do meu pai. Aliás, tenho certeza de que meu pai era tão presente na minha vida justamente por isso. Algumas pessoas, ainda bem, escolhem aprender com as experiências e dores ao invés de repetí-las por toda a sua existência. Quantos pais agressores e ausentes vêm de famílias também ausentes não é? Meu pai não quis engrossar esta estatística. Quando pequeno, ao invés de ir estudar, era obrigado a trabalhar na lavoura com o meu avô (?). E não porque ele não tivesse condições de contratar um funcionário… ele tinha. Legal né? Baita pai. Baita “avô”.

Cresci ouvindo o seu Liberato – meu papai – contando essas histórias. Coisas que eu quase não conseguia acreditar quando pensava no pai que eu tinha. Meu pai chegava a ser chato certas vezes, por querer me proteger tanto e sempre fazer tudo para mim. Sábio ele. Não é porque sofreu que iria propagar sofrimento pelo mundo né? Não. Ele escolheu ser um homem e um pai melhor do que o que ele teve. E foi. Ah, se foi.

Do meu avô, cuja única ligação que existe entre nós é a biológica, não levo nada. Nenhuma lembrança. É como se ele sempre tivesse sido só um nome, sempre dito pela boca de outras pessoas. Mas, desejo que ele finalmente descanse em paz.

Palavras que eu queria ter escrito

Às vezes a gente lê e ouve por aí coisas tão, mas tão especiais, que a gente pensa “putz, queria ter escrito isso”. É por isso e só por isso que transcrevo o pequeno texto abaixo.

Escuro
“Você vai aprender, filho. Que a intensidade pode roubar você de si mesmo. Que é preciso leveza para se pertencer. Você vai aprender a se distrair no meio do caminho – para ter o privilégio de errar. Vai aprender que as descobertas estão nos atalhos. E que é preciso alcançar o escuro denso para estar diante de todas as possibilidades. Você vai aprender a se deitar noite escura e amanhecer ensolarado. E vai entender que na perda mora o verdadeiro começo. Talvez você leve meia vida para isso. Talvez mais, como eu. Mas até lá, olha que sorte: eu vou estar segurando a sua mão.”
para francisco

Ontem assisti o Globo Repórter que falava sobre a dificuldade que as pessoas vêm enfrentando para encontrar bons relacionamentos. Encontrei-me em várias daquelas engraçadas situações, principalmente em baladas. É sabido que ninguém se leva a sério nestes ambientes. Todos – ou quase – vão para uma balada com a intenção de se divertir. E quando conhecem alguém, geralmente não acreditam que por trás daquela pessoa que se apresenta ali sob as luzes piscantes de uma festa possa haver um ser humano bacana.


Segundo o programa, uma boa parte dos relacionamentos estáveis começam no trabalho, faculdade ou em grupo de amigos. Eu costumo dizer isso há tempos. É nestes ambientes que temos, comumente, mais chance de conhecer melhor as pessoas. Mas, mesmo assim, tem sido difícil se animar a pensar em um novo relacionamento. Principalmente quando você sai de um que te bagunçou muito e vê, ao seu redor, tantas pessoas superficiais ou sem atitude. E à medida em que se amadurece mais, fica-se mais exigente.


Vi as mulheres entrevistadas reclamando que os homens não têm atitude. Que eles olham, estudam, olham e olham de novo e não se aproximam para nada, sequer conversar. Isso acontece em todo lugar! Não só lá com as entrevistadas em São Paulo. Não basta ser bonita, inteligente, interessante, independente (e tenho para mim que a maioria dos homens têm medo disso tudo). Parece que é preciso alguma coisa sobrenatural para que um homem se aproxime ao menos para uma conversa. Mas uma conversa útil né… Mas vocês podem pensar “e a mulher, porque não toma a iniciativa?”. Bem, eu sou do tipo que demonstro o que quero. Sou do tipo que não espero somente pela iniciativa do outro. Mas, tem horas que cansa fazer tudo minha gente! E também há homens que se assustem ou que pré-julgam (?? – to sem a minha cola do hifen aqui) a mulher que sabe o que quer.


Relacionar-se não é nem nunca foi fácil. Mas nos dias de hoje tem ficado mais complicado. Então, se é para cometer erros do passado, acredito que é prudente ficar só. Não para a vida toda mas ao menos enquanto AQUELA pessoa não aparece. Aprendi que prefiro estar sozinha a estar com alguém que está no relacionamento só porque tem preguiça de mudar e não porque gosta de mim; a estar com alguém que não é parceiro e companheiro de verdade; a estar com alguém que não se vincula verdadeiramente a ninguém. Estar comigo e só comigo mesma é infinitamente melhor do que viver um relacionamento ilusório. E eu sei disso porque vivi na pele. E é vivendo que a gente aprende.


Feliz dia dos namorados (adiantado).

O primeiro presente

Hoje ganhei copos. Copos para vinho. Ou taças, como queiram. É chegada a era de presentes domésticos. Estou até vendo. Mas estou achando ótimo, já que nada tenho não é mesmo?

Mobiliar e equipar uma casa vazia é uma preocupação constante para quem está se jogando nesse obscuro e desconhecido mundo. Mais ainda para quem não vai ganhar tudo prontinho do papai. Tenho lido e participado de comunidades de pessoas que moram sozinhas e vejo que muitas levam bastante tempo até conseguirem comprar tudo o que uma casa de verdade merece. É uma fase natural, eu diria. E quando penso nisso fico menos aflita.

O primeiro passo, porém, não é comprar a geladeira. É organizar as finanças! Tenho tentado fazer isso há algum tempo e confesso que não sou a pessoa mais exitosa nesse quesito, mas estou me esforçando. Aceito dicas dos meus queridos leitores para isso.

Dito isto e, sendo este o segundo post sobre o assunto, está na hora de lançar o nome da categoria. Recebi algumas sugestões mas vou ficar com uma bem simples, trivial e bobinha. É algo que eu costumo dizer quando vejo algo ou alguém (sim) que me apetece: “ô lá em casa…” Então é isso!

Os livros e eu

Este post é inspirado na Juliana Fleck e no que acabei de ler no blog dela. Eu tenho uma pilha (sério) de livros para serem lidos. Neste momento eles estão em alguma caixa de papelão, devido à mudança. Eu sempre gostei muito de ler, principalmente romances inteligentes, histórias verídicas e biografias. Ainda essa semana prometi a minha terapeuta que começaria a ler um novo livro. E acho que será O Caçador de Pipas que está comigo, embora seja de um grande amigo.

Então, no blog da Ju tinha um teste. Adoro testes. Lá fui eu fazer o  “Que livro você é?”. Vejam o resultado.


Você é… “Carmen – Uma biografia”, de Ruy Castro

Foto: Rodrigo Braga

Foto: Rodrigo Braga

Boa história é com você mesmo. Adora ouvir, contar, recontar. As de pessoas interessantes e revolucionárias são as suas preferidas. Tem gente que liga para você só para saber das últimas fofocas. E confesse: com seu jeitinho manso e detalhista, você dá aos fatos um sabor todo especial. Além disso, não se contenta em reproduzir o que já foi dito. Por isso, se fosse um livro, você só poderia ser uma boa biografia, daquelas que faz os leitores deitarem na rede do fim de semana e se entregarem às peripécias de uma grande personagem. Aliás, você já pensou na profissão de repórter? Ou de escritor?
“Carmen – Uma Biografia” (2005), sobre Carmen Miranda, é uma das aclamadas biografias publicadas por Ruy Castro, também jornalista e tradutor, considerado um dos maiores biógrafos brasileiros.


Negritei os trechos com os quais mais concordo, mas foi curioso saber que eu seria uma biografia, justamente um dos estilos de literatura que eu mais gosto. No mais, caro teste, já pensei sim em ser repórter (há mais de 7 anos) e escritora :-)

E vocês que passam por aqui? Qual livro seriam?

As primeiras florzinhas

Confesso que às vezes sinto falta do meu quarto, lá na casa de Gravataí, onde eu morei por pouco mais de 20 anos. Nunca gostei daquela cidade mas gostava do meu canto e das minhas coisas meio bagunçadas. Estava pensando em fazer uma foto dos tapetes que comprei para meu novo cantinho e cheguei a imaginar jogá-los no chão desse meu antigo quarto para fazer a foto… Engraçado né, às vezes esqueço que me mudei.

Estou morando com a minha mãe na cidade de Cachoeirinha, que fica ao lado de Gravataí e mais perto de Porto Alegre. É uma casa simples e pequena mas aconchegante. Porém, estou de passagem e literalmente acampada lá. Dentro de pouco mais de um mês devo transferir minhas poucas coisas para o meu apartamento em Porto Alegre. Esta semana comprei dois tapetinhos em formato de flor, pensando na minha cozinha. E um jogo de dois tapetes para o meu banheiro. É indescritível a sensação de comprar algo para a minha casa, um lugar que foi tão desejado por mim durante muito tempo. Não poderei mobiliar o ap todo de uma vez como eu gostaria e acho que vai levar bastante tempo mas o importante é que ele estará lá. E eu quero fazer tudo com calma para deixá-lo bem com o meu jeito. Sei que quem gosta de mim de verdade não se importará de sentar numa almofada ao invés de um grande e macio sofá… Não né?

Para falar dessa nova etapa de vida e das experiências que me aguardam em decorrência disto, quero criar uma nova categoria no blog. Conto com a ajuda de vocês, meus caros poucos leitores não-anônimos, para me ajudarem a batizar a categoria! Coloquem a cachola para funcionar :)

Ah, e aproveito para recomendar um blog muito legal que eu leio sempre: www.morandosozinho.net

3×4

Fazendo limpeza e encaixotando coisas para a mudança – parte I, achei tantos guardados da adolescência que não pude evitar de sentir aquela nostalgia. Cartinhas de amigos de escola, bilhetes, ingressos de cinema, convites de aniversários de 15 anos, fotos em 3×4… tudo o que eu guardei e nem sei bem porque. Talvez para que anos depois, como aconteceu essa semana, eu os visse e pensasse em como o tempo passa. E com o tempo, passa também aquela nossa ingenuidade de pensar que as amizades não acabam e que nossos problemas teen são os maiores da face da terra.

Eu tinha a mania de escrever tudo o que acontecia comigo. Não vou dizer que era um diário, pois eu não escrevia em um só local. As vezes era em algum caderno, outras vezes em folhas soltas. Achei algumas destas folhas e confesso que muitas delas foram jogadas fora sem uma releitura. Outras, porém, mereceram ser abertas e o que meus olhos encontraram foi o registro de momentos que me marcaram e de alguns outros dos quais eu nem lembrava mais.

Dobradas em duas vezes, duas folhas de caderno abrigavam as minhas impressões sobre a minha primeira vez. Com um namorado por quem eu estava apaixonada e que pouco tempo depois iria embora. Ele não foi o primeiro a ir embora e algumas outras vezes depois disso, eu é que “fui embora” de alguns relacionamentos, mas o fato é que este momento foi importante pra mim. Mesmo que esta seja apenas uma pequena etapa da minha transformação de menina em mulher, descobrir o sexo naquele momento e com aquela paixão, foi relevante. Curioso ver em minhas próprias palavras uma menina tão segura do que queria ao mesmo tempo em que era totalmente inexperiente. Senti-me estranha lendo aquilo. E não senti saudades, embora hoje tenha a certeza de que fiz o meu melhor.

No fundo da caixinha de papéis do passado, vejo uma foto 3×4 deste meu ex-namorado. O meu primeiro homem. Ele também era apenas um menino de 22 anos, por aí… Sim, um menino! Foi esquisito olhar para aquela foto e pensar em como podemos gostar tanto de uma pessoa e anos depois ela significar apenas algo que passou e que não tem mais espaço na vida da gente. É esquisito. Hoje em dia eu não guardo cartas e quando escrevo alguma coisa é no meu notebook. Também me desfiz de algumas fotos. Com dor no coração mas foi preciso. Não quero mais ter essas caixinhas. Aprendi que é melhor não registrar certos acontecimentos. Ao menos não aqueles dos quais não quero lembrar daqui a alguns anos, em alguma outra mudança… Me bastam as lembranças que não consigo tirar do pensamento.

Todo esse “joga fora no lixo” que eu nunca consegui fazer em outras arrumações ao longo dos anos tem muito a ver com meu atual espírito de renovação. Quero ir para um lugar novo com a menor quantidade possível de coisas velhas. E nisso estão incluídas as lembranças.

Sem tempo mas bem

A vida é assim mesmo. Às vezes toma rumos inesperados mas que nos enchem de ânimo para continuar a caminhada. Essa caminhada que às vezes parece sem rumo mas que no final das contas só existe porque todo mundo busca a mesma coisa: ser feliz.


E a busca pela felicidade é algo muito particular. Há quem o faça sentado em sua poltrona estofada, tomando um chimarrão. A quem o faça viajando sem rumo pelo mundo, não tendo endereço fixo. A quem a busque trabalhando dias e noites para juntar uma grana, sem diversão ou descanso. Cada um sabe – ou pensa que sim – o melhor caminho para buscar a sua plenitude.


Uma vez meu padrinho disse uma coisa que eu nunca esqueci. “Na vida é preciso ter objetivos”. Parece óbvio mas há momentos em que nos esquecemos disso. É papel de cada um criar sempre novos objetivos. Um carro novo, uma câmera, uma lente, um apartamento… Um novo emprego, uma nova profissão. Uma viagem, um novo amor…


Mesmo assim, há momentos em que tudo está indo bem e a gente pensa que já tem tudo né? Bem… daí é colocar a cabeça pra funcionar e pensar em novos objetivos. Uma coisa é certa: não dá pra ficar parado. Quando se corre atrás das coisas, nossa cabeça fica ocupada e, por isso, mais saudável. E digo-lhes por experiência própria.


Minha vida andava normalzinha. Trabalhando 8h diárias, fotografia e só. Em algumas semanas tudo mudou. Finalmente meu horário foi ajustado de acordo com meu contrato de trabalho e estou trabalhando no turno da tarde. Muito justo. Em breve devo mudar de endereço, de cidade! Comecei a sair mais à noite, coisa que adoro e com uma ótima nova amiga.

Agora passo meus dias pensando em como vou mobiliar o ap e no quanto quero usar minhas manhãs livres para me dedicar ao meu trabalho na fotografia. Objetivos! A gente não é nada sem eles.


Peço desculpas a quem vem aqui e no meu outro blog em busca de novidades e não as encontra, mas além da correria, estou sem internet por alguns dias então fica difícil. Mas eu volto pessoal!

Arrependimento não mata mas castiga

Não costumo ter muitos arrependimentos. Procuro pensar que tudo o que fazemos deve servir para aprendizado. Até as burrices mais burras. Só que há situações em que eu realmente me pergunto “por que, Jacqueline, fizeste isso????”

Por que deixar ir adiante um envolvimento que, desde sempre, você soube que não daria certo? Por que tentar quebrar uma barreira que não pode ser quebrada (e hoje eu sei disso), tentando gostar de um tipo físico que você nunca gostou? Por que convidar uma pessoa que não entende do assunto para te ajudar em determinada coisa, esperando que ela realmente te ajude? Por que e pra que ficar com um cara que é parado demais, que é convencional demais… só para tentar se convencer de que certos pré-requisitos eram bobagens. Mas não eram! Por que dar ouvidos a quem já te magoou uma vez e não soube aproveitar as chances que você deu? São muitos porquês. E eu tenho conseguido resposta para eles nas minhas reflexões e nas minhas sessões de terapia. Mas, o principal diante de tudo isso, é assumir sem culpas o porque de não fazer alguma destas coisas novamente.

Hoje em dia eu não escuto mais quem não merece ser escutado, quem não me valoriza; não corro atrás de explicações quando uma pessoa faz cara feia e não age feito um ser humano adulto, querendo conversar; não ignoro meus desejos e sentidos, me relacionando com alguém que não me atraia a ponto de me causar um frio na espinha; e também não ignoro o fato de alguém não ter o mínimo de compatibilidade intelectual comigo. E já consigo fazer isso sem muita culpa. Agradar a todos e ser sempre correta é muito difícil e às vezes causa muito sofrimento. Um sofrimento que na maioria das vezes se carrega sozinho. Faz algumas semanas que eu decidi não carregá-lo mais. Se isso será melhor ou pior pra mim, é algo que só vou saber com o tempo. Mas posso dizer pra vocês que pelo menos tenho tomado menos neosaldinas e dormido mais tranquilamente.

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