Houve um tempo em que eu não conseguia demonstrar carinho. Meu jeito de ser era mais fechado, mais duro. Acho que a vida e seus acontecimentos foram me mostrando que a gente deve mesmo é ser carinhoso com as pessoas que gostamos. Porque no final das contas, isso faz bem. Pra quem dá e pra quem recebe o carinho. Cada vez mais eu percebo que mais importante é o que eu sou de verdade. Não importa muito nem se tal pessoa merece o que dou a ela. Se eu estiver fazendo bem e de coração, é o que importa. Porque tudo na vida tem volta.
Mas isso tudo é aprendizado diário. E pesado. Não é fácil. Não é, porque às vezes você não cresceu com uma família amorosa, foi mais criticado do que elogiado ou nem isso… ou, em outras vezes a família até é amorosa, mas nunca fala sobre sentimentos. Isso chega a ser ambíguo né. As pessoas se amam mas não dizem. Eu nunca disse ao meu pai que o amava. Porque não cresci ouvindo isso embora tenha total certeza de que ele sentia isso. Tudo questão de costumes… o mesmo acontece em relação a minha mãe.
Não é simples – ao menos para a maioria das pessoas – expor sentimentos. Geralmente a gente fica com vergonha, fica pensando no que o outro vai pensar. Mas, vergonha de que afinal? E o que o outro vai pensar… ah… tenho absoluta certeza dee que são esses medos idiotas (e eu os tenho, todos) que nos fazem ficar parados tantas vezes num lugar só… Essa semana eu senti isso. Falei e depois pensei “ops, será que fiz certo?” Mas era o que eu tinha vontade de fazer! Era o que eu precisava fazer. E era sincero. Porque afinal isso seria ruim? Por alguns segundos me questionei sobre o que a outra pessoa poderia pensar… tanta bobagem. Nessa hora, quando o sentimento é bom, a gente não pode ficar imóvel por medo do que o outro pensa. Porque o medo te demove das tuas vontades e certezas. E com medo a gente não consegue prosseguir nem agir de acordo com o que realmente somos.
Gosto de conseguir fazer assim. Ousar um pouquinho mais a cada dia. Sem esperar nada em troca, sem ilusões. E sempre, sempre sem jogos e máscaras. Só sendo o que eu sou. Gosto de olhar pra trás e ver que mudei muito em alguns anos. Não só porque já sofri muito por amor ou por desamor, ou porque meu pai morreu, ou porque eu estive perto da morte uma vez… A mudança significativa veio em cada vez que tive que decidir o que fazer com alguma dor. A mudança vem quando tu te dás conta do que é a vida. Aí é que faz diferença. Eu aprendi e evoluí, sem falsa modéstia. Dei-me conta de que a vida é curta e de que não dá pra perder tempo pensando “ah eu não direi isso porque senão ele vai se achar muito…” ou “um dia eu falo isso…” ou “depois eu vou lá vê-lo, depois eu ligo”… Que depois?! Não dá pra deixar certas coisas pra amanhã. Não dá. Quanto tu vês, o depois paft, não existe mais.
Ainda não cheguei no meu ideal… ainda tenho medos, receios, vergonhas. Tenho e muitos. Mas eu sigo buscando o meu equilíbrio.
Mês que vem faz 3 anos que meu pai saiu de casa numa sexta-feira, depois de me dar um abraço, e nunca mais voltou… Esse foi o depois.
Viajar sempre foi bom para mim. Dia desses me dei conta de que eu não nasci em situação financeira compatível com a minha vontade de conhecer lugares. Não nasci nem me encontro perto de uma situação desejável a esse respeito. Enfim… bora trabalhar para isso.
O caso é que mesmo que a viagem seja para uma cidadezinha do interior do meu Estado, ta valendo. É o caso do local onde me encontro agora, às 23h do dia 31 de outubro de 2009. Após uma semana cheia de turbulência emocional e material, decidi vir para essa cidade tranqüila da Serra. Estou aqui num local onde não há sinal de celular e muito menos de internet. Escrevo no Word para depois passar para o blog. Um texto defasado, não instantâneo, mas verdadeiro. Enquanto a maioria foi em busca do calor e das festas do litoral, eu vim pra cá.
Poço Redondo é o nome do “buraco” onde estou. Digo isso pois é literalmente um buraco. Enfiado no meio da mata e na beira de um rio, é um local onde cabanas repousam tranqüilas com algumas pessoas nelas, outras simplesmente vazias. O que predomina aqui é o chuá ininterrupto do rio. É como se chovesse. É aflitivo e ao mesmo tempo reconfortante esse barulho que a correnteza da água faz . Aqui, a gente só ouve isso e os próprios pensamentos.
Nessa parte, eu fico meio preocupada. Ouvir meus pensamentos nem sempre é algo que me faz bem. Preciso tomar resoluções sobre certas coisas e simplesmente não consigo. E não consigo porque não queria fazer isso sozinha. Nem sempre todas as decisões dependem só da gente. Algumas coisas precisam ser conversadas. Certos tipos de palavras não podem ser jogadas pra cima de ti… não de uma forma que você não consiga digerir na hora. Certos momentos não podem ser empurrados pra depois. Mas como nem tudo depende do esforço da gente, essas coisas acontecem… e não importa o quanto você seja legal, sincera, inteligente, respeitosa, leal e mais uma pá de coisas. Não importa. Essas coisas acontecem.
Não gosto de imaginar coisas. Não gosto de tirar conclusões sozinha. Não gosto de não ter outra opção a não ser esta. Espero ter outras opções. É, ainda espero.
Andar no meio desse mato, ser picada por mosquito, fugir de perereca, olhar a correnteza desejando que ela leve tudo de pesado que existe dentro de mim… tudo isso é o que consigo fazer nesse lugar. Tentando viver um dia de cada vez. Intensamente um dia de cada vez. Sem me cansar. Essa é a tarefa. Apenas essa.
Teatro Mágico. Mágico Teatro. Cena, luz e som. Letra, poesia, melodia. Tudo isso junto numa coisa só. Tudo isso misturado e jogado pra cima de quem se aventura a conhecê-los.
O Teatro Mágico é assim. Uma coisa que entra no teu ouvido, lá no fundo, chega na consciência, passeia pelo coração e te faz pensar “putz, eu sinto isso, bem assim!” Melodias gostosas, letras intensas e uma energia que vem das pessoas que o fazem, tornam esse Teatro especial.
Tive a oportunidade de conhecê-los enquanto fotografei seu show em Farroupilha, no mês passado. Embora já tivesse ouvido uma música, há um bom tempo, considero que os conheci naquela noite. Depois de um dia inteiro fotografando, com gripe, cansada, nem o fato de que adolescentes me esmagavam em frente ao palco tirou o brilho do espetáculo que vi (olha aqui o que eu vi). Pois sim, eu curti tanto quanto qualquer um que lá estava. Eu não deixo de sentir o que estou fotografando. Isso seria muito sem graça. Eu não deixo de sentir nunca. Isso não seria eu.
Às vezes eu to quietinha e tu podes pensar que nem estou prestando atenção mas eu to ali, absorvendo tudo. Sentindo cada instante. E lembrando que aquele instante não voltará. Já se deu conta disso? Então dê-se!
Ontem fui a um sarau com o Fernando Anitelli, vocalista e fundador do Teatro Mágico. Que momento! Bom ouvir as músicas naquele clima intimista de voz e violão. Clima bom de pessoas em sintonia parecida. E aquelas letras e acordes passeavam entre a boca e os dedos do Anitelli e chegavam até mim, impregnando-se no meu peito. E aí eu penso… que bobagem desperdiçar o que nos faz bem. Que bobagem… a vida é tão curta e o amanhã tão incerto. Deixa pra se preocupar com o amanhã só quando ele chegar! Deixa, vai…
Escrevi este texto há algumas semanas. Não o publiquei. Talvez por medo, talvez por vergonha, talvez por insegurança. Hoje sei que não há nada a perder. Aliás, será que em algum momento há algo a perder? Enfim:
Deve fazer mais de um ano. Mais de um que eu não sentia essa curiosidade louca sobre alguém. A curiosidade boa que a gente sente quando encontra alguém interessante. Não somente bonito, inteligente, divertido. Alguém que, por algum motivo que tu não consegues explicar, te provoca uma sensação muito boa. É isso mesmo, não dá pra explicar. É como se a pessoa te fizesse esquecer o mundo lá fora e te desse paz. E te fizesse acreditar que ainda existem pessoas especiais no mundo. Porque eu duvido que algum de vocês que esteja lendo este texto, em algum momento de sua existência, já não tenha perdido a esperança em relação à humanidade… quem aqui nunca achou que todas as pessoas estão muito iguais, que já não dão valor às simples e essenciais coisas da vida? Então, quando a gente encontra pessoas que tem no olhar um brilho ao fazerem o que gostam, ao falarem da família, ao verem fotos antigas ou simplesmente ao tocarem um violão… esse tipo de gente tem que ser valorizado. Ah se tem. E mais valorizado ainda deve ser o momento em que pessoas assim compartilham sua vida conosco. Mesmo que elas nem se dêem muita conta disso… mais imporante é aquilo que elas provocaram em você. Mais importante é que você se dê conta disso. Se foi especial, guarde com carinho…
O futuro é uma estrada desconhecida cheia de curvas… a gente nunca sabe direito o que nos espera no próximo quilômetro mas uma coisa é certa: o modo como a gente percorre essa estrada pode ser escolhido por nós. Eu quero percorrê-la devagar, saboreando cada minuto, descobrindo cada cantinho de paisagem, enfrentando qualquer obstáculo, fotografando suas curvas, suas cores, seus azuis… e sentindo a emoção de, a cada dia, descobrir algo novo… Mesmo que eu não saiba o que me espera em seu final, eu quero percorrê-la… se eu tiver de chorar, ao menos eu vivi.
Não esquecer do meu valor, do quanto sou uma pessoa especial, que merece sempre o melhor. Tais coisas parecem tão básicas, simples não é? Mas a gente vive esquecendo disso. Esquece e às vezes deixa que certas frustrações nos tirem o sorriso do rosto, o brilho dos olhos e o colorido da vida. Frustrações que acontecem não por culpa nossa mas por simples incapacidade emocional de outrem.
Amar e ser amado é assim mesmo, quase tão raro quanto ganhar na loteria. Eu penso assim. Poucas pessoas têm coragem de tentar, mesmo sentindo medo. Geralmente elas recuam. Eu não recuei. Como sempre, eu não recuei. Se valeu, vale ou valerá a pena, eu sinceramente não sei. Só sei que tentei.
Mas o fim só chega quando termina né? Há muito ainda a ser dito. E eu direi. Quem sabe o que há para ser vivido? Talvez vivamos para saber. Talvez não.
Certeza tenho apenas em relação ao que sinto e àquilo que acredito ser importante. E dentro disso, existe a certeza de que nenhum sentimento resiste sozinho, sem alimentação, cuidado e reciprocidade. Sendo assim, para certos casos é só esperar o tempo passar…
Tenho um texto pronto para postar. Mas não será hoje. Não estou com vontade. Aliás, essa liberdade que eu sempre tive no meu blog é a mesma que experimento agora, na minha vida. Ontem fez um mês desde a primeira noite que dormi no meu apartamento. Dei-me conta disso de repente, sem querer. Passou tão rápido que quase esqueci!
Tirando contas a pagar e outras responsabilidades que devem ser cumpridas sempre, poder decidir quando e se fazer determinadas coisas é algo muito prazeiroso. Já disso isso em outros posts e não quero ser repetitiva mas, de fato, essa é a melhor parte.
Desde pequena eu nunca gostei muito de dar satisfações. Quando adolescente, idem. Minha mãe me achava meio revoltada por isso. Imagina… eu fui a adolescente mais normal e tranquila do mundo, na verdade. Só queria fazer as coisas do meu jeito, como todo adolescente. Só que na adolescência a gente ainda não tem autonomia para decidir tudo né. Não ter autonomia numa fase em que você está se tornando adulto e formando uma parte importante da personalidade é uma coisa que, por vezes, pira a cabeça de alguns. Eu segurei a onda, mas sempre tinha um conflito aqui, outro ali. Então quando eu tinha lá meus 18 anos (nossa, como o tempo passa!) eu já sonhava com o dia que poderia morar sozinha. Esse sempre foi o meu objetivo. Não era sair para casar, não era sair para morar numa república. Era sair para morar sozinha. Anos depois, cheguei a pensar que isso estava muito longe de acontecer. Dez anos depois, estou aqui.
Algumas coisas são difícieis, preocupantes. Tudo é muito novo. Mas, gosto de perceber que estou dando conta. E só vai melhorar daqui para a frente. Ah, vai.
Tenho muitos outros pensamentos e sentimentos acontecendo, sobre os quais quero escrever mas ainda não encontrei o jeito certo de fazê-lo. Então, fica para uma próxima.
Tirando aqueles probleminhas financeiros que quase todo mundo enfrenta, uns mais (como eu) outros menos, está tudo correndo bem. Eu sabia que não teria problemas em ficar sozinha pois gosto de ficar na minha, de fazer as coisas do meu jeito e poder errar ou não sem ser observada. Pode parecer egoísta isso que eu acabei de dizer mas é a verdade. Nessas duas semanas em que estou aqui no meu apartamento, muitas coisas novas já aconteceram. Desde a experiência de arrumar as minhas coisas por toda a casa e não mais somente no meu quarto até a sensação maravilhosa de não ter que avisar que vou dormir fora de casa ou chegar tarde… Esse é o lado bom de não ter ninguém me esperando. Não que minha mãe não se preocupe mais, mas obviamente é diferente. Aliás, falo com ela todo dia, e muitos dias, mais de uma vez. E visito-a frequentemente também mas sempre pensando em voltar. Minha casa é aqui agora e isso já está totalmente inserido na minha cabeça.
Às vezes ainda me pego pensando nas voltas que a vida dá e no quanto eu nunca imaginei, há um ano, estar aqui, sentada no meu sofá, escrevendo este texto. Tantas coisas tiveram que acontecer para que eu vivesse esse momento e quantas outras mais estão para acontecer? As melhores experiências vêm assim, de súbito. Sem muito tempo para pensar ou decidir. As melhores pessoas aparecem na vida da gente quando não esperamos e nos surpreendem de tal forma a nos deixarem desconcertados. De um jeito manso, tímido, devagar mas quando chegam de fato, avassalam. É uma coisa que acontece quase sem que tenhamos consciência disso. E esse é o melhor jeito. Ah, se é. Não importa o futuro e o que ele reserva… importa é o quão bem essas sensações proporcionam.
Ter a certeza de que a vida nunca é uma rotina é uma coisa que me dá esperanças. Dá sim. Se até em momentos em que eu não me sentia tão otimista, ela me deu um peteleco e provou que pode se transformar, quem sou eu pra duvidar? Quem sou eu?
É óbvio que eu já usei a cozinha que fora instalada na última terça-feira né. Mas, sempre com pratos semi-prontos: hot pocket, hamburguer, panqueca da mãe, miojo e assemelhados. Como ainda não tenho forno de microondas, acabei usando bastante o forno do fogão e descobri que os Hot Pocket’s da Sadia ficam muito melhores se feitos ao forno do que em microondas! Experimentem.
Hoje no almoço decidi que iria assar um tomate que estava na geladeira para acompanhar as panquecas que minha mãe havia trazido no dia anterior. E durante a tarde ideias vieram a minha mente… e decidi sair para comprar ingredientes e cozinhar uma massa com iscas de filé e tomates secos (que eu amo!). Essa receita eu vi no jornal Diário de Santa Maria há muito tempo e um amigo viu e fez, certa feita. Ficou boa a versão dele mas… a minha, modéstia à parte, ficou divina!
Seguem as receitas:
Tomate assado, by Jac!
Tomate Assado
Um tomate lavado e cortado ao meio
Sal
Chimi-churri
Uma fatia de queijo mussarela
Leve ao forno por uns 20min.
Outros ingredientes podem ser colocados, tipo manjericão, orégano e pedaços de torradinhas.
Penne com iscas de filé e tomate seco
Penne com iscas de filé e tomate seco
500g. de massa grano duro (pode ser talharim ou espagueti tb)
500g. de filé (alcatra também fica bom!)
Tomates secos
1 lata de Creme de leite
Alecrim
Preparo:
Faça a massa e reserve. Refogue a carne com uma colher de sopa de manteiga e tempere com sal e pimenta a gosto (eu não usei pimenta mas usei alho e azeite de oliva). Jogue um pouquinho de alecrim. Bem pouco porque o alecrim é um tempero forte!
Em uma panela, coloque a massa, as iscas de carne já prontas e o tomate seco e vire a lata de creme de leite. Misture e deixe esquentar bem. Nesse momento, a receita original indica incluir champignon mas eu não usei pois não gosto tanto. O rendimento é de 4 porções. Obviamente eu fiz a metade da receita ou menos
Domingo passado saí para fotografar. Estava quente, tinha sol. Na real eu saí pra “modelar”, mas essa é outra história. O que interessa é o que eu vi quando voltei pra casa: um céu em tons de rosa e laranja pairava por sobre os prédios que fazem parte da vista das janelas do meu apartamento. Ele me disse terça, enquanto contava isso: “fotos??” Não fiz. Estava tão cansada que só consegui ficar olhando pela janela e não fotografei. No instante seguinte em que pensei em fotografar mas me senti cansada para isso, veio-me à lembrança o fato de que eu terei aquela vista sempre, por vários dias em que o sol aparecer, em várias primaveras e verões. E também nos invernos ensolarados. A menos que eu ganhe na mega-sena, óbvio. Nesse caso, talvez eu compre um ap maior, mas será no mesmo bairro. E talvez até com a mesma vista! Sonhar não custa, afinal.
Algumas pessoas me dizem que não têm capacidade de morar sozinhas, que têm medo da solidão, que precisam de barulho quando chegam em casa. Pois eu amo justamente o silêncio. O silêncio que eu mesma faço e aquele que eu mesma rompo. Cantando, limpando, ouvindo música ou rindo ao conversar no msn… não importa de que jeito, os ruídos são meus. E a mudez também. Sem mais correr riscos de magoar os outros por isso. É tudo diferente quando não se tem mais os pais para fazer certas coisas por nós. Só vivendo para saber. E eu sempre quis viver essa experiência. Embora a liberdade nua e crua seja inexistente, morar sozinho é o mais perto que se pode dela chegar. Porque você já não tem mais satisfações para dar, não precisa avisar a que horas vai chegar ou se vai chegar. E a bagunça? É você que vai arrumar!
Enfim, desculpem se esse assunto já está saturando mas eu estou meio em lua de mel comigo mesma e acho que mereço aproveitar e registrar isso. São muitas vivências novas. Coisas que venho descobrindo fora e dentro de mim… Novas experiências, novas dificuldades, novos desafios, novos prazeres, novas pessoas. Tudo isso só me faz ter a certeza de que a vida sempre tem algo bom reservado pra nós… Mas a gente tem que acreditar e, durante uma dificuldade, tentar aprender com ela pra não deixar que ela nos abata! É assim que estocamos força para continuar, sempre da melhor maneira possível.
Então que ontem instalaram a minha minicozinha. Agora tenho pia e posso até me aventurar a cozinhar um pouco. Eu nunca cozinhei enquanto morei com meus pais. Nunca precisei e não me interessava. Mas agora está me dando vontade de tentar. Talvez porque seja mais um jeito de curtir o meu canto e também um ótimo motivo para reunir amigos!
Na minha sala ainda está uma pequena montanha de papelão e lixo que é resultado da embalagem onde vieram a cozinha e o rack para TV. E como eu moro sozinha – adoro dizer isso – tenho que me virar e levar tudo para o lixo, aos poucos. Cansa subir e descer dois lances de escada várias vezes pra fazer isso mas eu sempre penso que é só no começo né! E não é preciso afobação… A montanha ainda está ali pois ontem não tive tempo de chegar e arrumar. Tinha coisas mais interessantes a fazer e a viver! O tipo de coisa que não tem sentido de ser deixada pra depois. Diferente do lixo né
Outro móvel que chegou ontem: o sofazinho que ganhei! Dois lugares, begezinho com listras azuis fracas. Bem inteiro e confortável. Para quem não tinha nada, até que o apezito está bem cheio. E bem cheio de felicidade também.
Fotinhos? Clarooo:
Cozinha
Autoretrato beeeem improvisado pois a preguiça de montar o tripé me venceu
Quinta-feira foi o dia da chegada do closet aramado. Optei por este tipo de “móvel” por ele me possibilitar maior mobilidade no caso de uma futura mudança e até mesmo de eu querer aumentar o seu espaço. Como ele é todo desmontável e suas prateleiras e cabideiros são encaixáveis, posso aumentar seu tamanho ou trocar a disposição das peças quando desejar. Guarda-roupas tradicionais são mais caros, pesados e enormes e além do mais, acho que com este modelo eu conseguirei manter minhas roupas mais organizadas pois a maioria delas ficará em cabides. Meus roupeiros sempre foram uma zona. Era puxar uma blusa e cair umas cinco em cima de mim. Esse sistema de estar tudo em cabides é ótimo!
Quando me deram essa ideia, também me indicaram a Projeloja, em Porto Alegre. Fui lá e fiz o orçamento. O preço total não era salgado, mas pro meu momento atual sim então, como não aguentava mais ver minhas roupas dentro de malas e sacolas, fechei a instalação de uma parte do closet. A princípio ele seria instalado na parede da porta do meu quarto, que faz divisa com o banheiro. Dois furos feitos depois, o instalador e eu ficamos com receio de que algum cano fosse furado e resolvemos trocar de parede! Probleminhas de quem não tem a planta hidráulica do imóvel né… Antes de furar a outra parede porém, me lembrei de que ela faz divisa com o apartamento do vizinho – que eu não conheço, aliás – e que seria prudente eu saber qual cômodo estava ali do outro lado da parede. Fui lá e toquei a campanhia. A vizinha me atendeu e nos deixou entrar em sua cozinha. Medições feitas, resolvemos tocar ficha! Para o meu absoluto alívio, nenhum cano furado.
O closetzinho tem 2m de altura por 2,40 de comprimento. São duas prateleiras, um cesto para roupas íntimas e meias, três suportes para cabides e as três prateleiras superiores, que são uma espécie de maleiro. Com o tempo, ainda preciso comprar mais umas duas prateleiras no mínimo e a sapateira – que é encaixada abaixo de todas as outras peças, perto do chão. Na quinta à noite entrei a madrugada tentando organizar minhas coisas nele. No decorrer do processo, descobri que ainda preciso comprar vários cabides (os 60 que ganhei acabaram) e uma sapateira para colocar na área de serviço, porque apenas a do closet não será suficiente. É incrível como nossas coisas duplicam de tamanho quando temos que organizá-las do zero! E olha que eu separei uma série de peças para doação… Além disso, há mais roupas que fui buscar na casa da minha mãe hoje. Mas haverá espaço pra tudo. Eu tenho fé! O maleiro está meio desorganizado, mas eu também pretendo melhorar isso adquirindo aquelas caixas organizadoras sabe? Coloco tudo lá dentro e toco pra cima do closet. Fica mais limpinho, visualmente falando.
Enquanto escrevia esse texto, ontem de manhã, os passarinhos não paravam de cantar. Gosto dos ruídos que eles fazem perto das minhas janelas. Estou gostando de tudo aqui. Sinto-me como se tivesse encontrado um pedaço que faltava dentro e fora de mim.
Ainda faltam algumas prateleiras, mas aos poucos vai
Sapatos no chão enquanto a sapateira do closet não vem
Dinheiro… É problema. É solução. Sempre depende do quanto temos na carteira. A minha anda vazia… porque se mudar custa caro. Mas são gastos necessários, enfim. E que um dia terminarão. Ao menos estes iniciais.
Meu closet aramado chega quinta-feira. Parte dele, porque o bolso-jornalista não deixou que eu o comprasse completo. Então, parte da bagunça dantesca do meu quarto sumirá. Não vejo a hora! A cozinha será presente da mãe. Básica, simples. Exatamente como eu preciso. A sala ficará por último… e vai demorar até que fique como eu imagino. Mas eu terei paciência, afinal não dá pra se ter tudo ao mesmo tempo.
Ontem à noite, sentada no tapete que coloquei na sala e sentindo fome, fui abrir uma lata de atum e pã! Cadê o abridor de latas? Não tinha… foi engraçado. Achei engraçado e nem fiquei irritada. Só quando a gente tem que montar uma casa começando quase do zero é que se percebe que as mínimas coisas fazem muita falta.
Contudo, mesmo vazio, o apezito me chama. Dormi apenas uma noite nele e já sinto uma saudade imensa das paredes meio rosadas, do banheiro verde claro, da claridade que entra pelas janelas e da vista que tenho da vizinhança… Coisa louca isso. Passei menos de um dia lá e já sinto necessidade quase orgânica de voltar. É como se, finalmente, eu tivesse o meu lugar no mundo. Hoje não vou pra lá. Por diversos motivos que têm a ver justamente com a organização da minha casinha, mas já sinto o peito apertado. Apertado de saudade. Apertado de vontade de curtir cada canto, cada descoberta…
Estou aqui sentadita na cama, após tomar o meu primeiro banho no meu banheiro. Meu. Ontem de manhã recebi o fogão e as minhas coisas vieram à tarde. Está tudo daquele jeito: bagunçado. Não tenho guarda-roupa e começo a desconfiar de que ele é imprescindível para que boa parte dessa baderna suma… Mas isso será resolvido brevemente. A geladeira chega terça-feira, os pequenos armários de cozinha talvez também cheguem ainda essa semana mas o sol já me brindou com a sua presença hoje. Ao entrar no apartamento notei que o sol iluminava os cômodos pelos buraquinhos das janelas. No banho, notei que eu quase podia ver o pôr-do-sol… Do meu quarto confirmei que, não fossem os prédios, eu poderia vê-lo. Mas não faz mal algum não vê-lo de todo porque eu consigo ver aquele rastro de cores lindas que ele deixa quando vai embora.
Ainda me assusto com alguns ruídos feitos pelos vizinhos e se tocam a campainha ou interfone de alguém, fico achando que é aqui em casa. Não riam! Coisas de quem viveu 28 anos em casas e nunca passou mais de dois dias num apartamento né… E tem as escadas – 28 degraus – e as portas que devem ser sempre trancadas e todas as norminhas condominiais às quais eu devo me acostumar. Tudo que vou tirar de letra eu sei… Porque vale muito a pena. Ah se vale. Ter o seu espaço, a sua bagunça para arrumar, fazer as coisas do seu jeito. É muito bom! Mesmo que no início seja difícil e a gente não saiba muito bem qual caminho percorrer nem por onde começar a organizar a baderna, vale a pena!
A liberdade é uma coisa estranha. Várias vezes, quando conquistamos mais uma ponta dela, não sabemos direito como utilizá-la né. Eu estou aqui sozinha no meu apartamentozinho no terceiro andar… posso andar sem roupa se eu quiser e até deixar as janelas abertas sem me preocupar tanto, mas eu esqueço! Quanto tempo será eu levarei para me lembrar disso? Lembrar que as regras agora sou eu quem faço. Eita coisa boa se dar conta disso.
Tem muita coisa pra dizer, pra viver, para ver. E eu vou tentar dividir com vocês, meus sete (?) leitores! Falando em dividir, dá uma olhada nas fotinhas que fiz:
Deve ter gente pensando que essa história de ap é ilusão da minha cabeça. Que eu sou aquele tipo de pessoa que fica inventando um mundo diferente já que o seu não é tão legal. Mas não. Eu juro que não pessoas! Aliás, conversava sobre isso dia desses com a ex-dona do meu apartamento (que ainda está morando lá). A gente faz uma aquisição, a divulga e isso cria uma baita expectativa nas pessoas. Tão maior quanto a nossa própria. Louco isso né. Só que nem eu nem ela compramos imóveis desocupados então acabamos ficando nessa dependência de prazos de contrato e papeladas para poder tomar posse. Atualmente, estamos fazendo aquela reza braba para que a atual moradora da casa que a minha vendedora comprou saia logo de lá. Isso deve acontecer, finalmente, este mês.
Toda vez que alguém me pergunta “e o ap? e a casa nova?” eu tento não surtar de ansiedade ao responder que “tá próximo!”. Sair de casa pela primeira vez e assumir a minha vida de verdade, com todas as alegrias e tristezas que isso traz, é uma coisa assustadora mas que já passou da hora de acontecer. Eu poderia esperar mais um pouco. Esperar o final do ano, o equilíbrio das finanças, comprar todos os móveis e equipamentos necessários… Mas eu não quero. Mesmo sabendo que ainda posso ficar na casa da minha mãe, a vontade de estar no meu lugar, fazendo as coisas do meu jeito já é maior do que eu consigo suportar. Se vai dar certo eu não sei, só sei que preciso experimentar. E a oportunidade é essa! Pra que deixar pra depois?
Não deixar nada para depois. Vou escrever essa frase e colar no meu mural no ap.
E hoje, domingo, chove torrencialmente em Porto Alegre. Mesmo assim, passei pela rua onde morarei. Primeiro porque eu queria fazer umas fotos e depois para ver se a rua alaga em dias assim, de chuva forte. Tudo certo! O prédio fica em um local alto, sem ruas alagadas por perto. Apesar da chuva sem trégua, fiz algumas fotos da rua e da praça que fica ao lado. Meu plano inicial era caminhar pelo bairro mas diante do dilúvio que caía (tem gotículas nas fotos hehe), ficou para uma próxima!
Nunca tive o sonho de casar. Vestido de noiva, igreja, bolo e tals. É uma das coisas que se acontecer, beleza, aconteceu. Não é meu objetivo, sabe? Mas eu gosto de casamentos. Gosto de algumas cerimônias, gosto da festa e principalmente das fotos – quando bem feitas. Mas o que me encanta mesmo é a originalidade. Quando eu me formei, há quase um ano, fiz um vídeo de agradecimento (vejam aqui) aos meus amigos e parentes por toda a força que me deram para que eu chegasse até aquele momento. Achei que essa seria uma forma divertida, sincera e eficaz de agradecer a todos com as palavras que com certeza me faltariam na hora da recepção. Às vezes ainda olho o vídeo e dou uma chorada. Ninguém é de ferro né!
Então que o casamento é cheio de rituais né. Acho muito, mas muito legal quando os noivos imprimem o seu estilo nessa data e quebram aquela sisudez e seriedade que muitas vezes ronda o ambiente. Afinal, é pra ser uma celebração né! Há quase três anos eu participei do casamento de uma amiga muito querida, a Silvana. Ela e o Zé casaram numa igrejinha pequena na Zona Sul de Porto Alegre. Foi uma cerimônia rápida – ponto pra eles – e bonita. A festa foi na AABB, também na Zona Sul. Não vou lembrar agora as músicas que eles dançaram, mas sei que tinha tudo a ver com eles. Isso eu nunca vou esquecer. Assim como a lembrança de casamento, que foi um CD com as músicas que tinham relação com a história deles! Muito legal. E boas músicas – para a sorte dos convidados. Enfim, não há porque casamentos serem chatos. Mas, se é pra fazer uma festa, a faça ser única! É assim que eu penso.
O vídeo dos padrinhos e noivos entrando na igreja ao som do Chris Brown lá nos EUA virou febre na internet, já saiu no Fantástico e serviu de porta de entrada para que eu acabasse descobrindo uma série de vídeos do tipo. Esses gringos são criativos na hora da primeira dança do casal hein. Achei o má-xi-mo. E outra, um viva à tecnologia e aos amigos que sempre filmam esses momentos né! Se um dia eu me casar e tiver festa, já aviso, vai ter performance! Acredito que esses momentos de comemoração devam sempre ter o nosso estilo, a nossa cara. E principalmente, devam ser divertidos. Então, se alguém aí está de casamento marcado e está pensando em fazer algo parecido com esses vídeos aqui de baixo, pufavô me chama pra ver \o/