Uma tarde para refletir

Sou uma pessoa que vive constantemente se perguntando sobre a hora certa de dizer o que sinto e penso. Muitas vezes, porém, penso pouco e quando vejo já disse/fiz. É bem difícil se desprender do medo da reação alheia. Digo que sinto saudade ou não digo? Se eu disser, o que ele (a) vai pensar? Se eu não disser, terá consequências, não fará diferença? Pode não haver resposta para ambas perguntas. E é isso o que nos angustia. Nem por isso deixo de ser espontânea. Acho que sou até demais. Mas, sim, tenho dúvidas muitas sobre como lidar com determinadas situações.

Algo me diz e bem alto que prender sensações dentro da gente é uma tremenda perda de tempo. A vida é curta, literalmente. Esperar me angustia um pouco, porque sei disso com todas as letras e experiências. Mas, sei também, que muita gente não sabe. Ou não lembra. E eu só posso fazer a minha parte…

Às vezes algumas pessoas passam um certo tempo perto de nós e a gente nem desconfia de quem elas são de verdade. É bom ter a chance de descobrir novos rumos sem precisar trilhar caminhos tão longos. Alguém que era quase um estranho se mostra compatível contigo, de repente. Afinidades diversas e diferenças daquelas que nos acrescentam. Porque ninguém vive só de semelhanças, graças a Deus! As diferenças são degraus de crescimento. Na minha humilde opinião, claro…

Há pouco desci para tomar um mate na praça ao lado do meu prédio. Li todo o jornal do dia e também a revista Vida Simples. Melhor nome de revista eu não conheço, viu. E a revista faz jus. Quando li a matéria de capa (Assuma suas fraquezas), refleti que estou fazendo muitas coisas certas. Ao longo dos anos assumi mais minhas vulnerabilidades, meus defeitos. Descobri que isso não é sinal de fraqueza ou incompetência. Bem pelo contrário. Assumir quem se é, é o principal passo para melhorar e é muito mais honesto com todo o mundo. Diariamente vejo gente esforçando-se para agradar (o chefe, o namorado, os amigos, os estranhos), vestindo uma máscara pesada. Nem todos o fazem por maldade. Às vezes é só medo de não ser aceito como é. Talvez esse discernimento só venha com a idade, talvez não. Acho que ele vem com o autoconhecimento.

Enquanto lia as matérias e colunas e as reflexões surgiam na minha mente, tive mais uma certeza: não consegue conviver de forma saudável com alguém aquele que não convive bem consigo mesmo. Não caia no erro de não conseguir viver sozinho. O desespero por companhia geralmente acaba afastando os outros. É, ser humano é bicho esquisito sim. Ninguém disse que seria fácil. Se disse, esqueça, é mentira. É por isso que é importante se esforçar… às vezes a gente fica tão de cara com a vida, com os outros. Porque a gente espera que sejam como nós. Que sintam como nós, pensem e ajam como nós. E, na maioria das vezes, os outros simplesmente estão focados em outra coisa. Não significa que nós não somos importantes. O que mais interessa é ser importante pra si mesmo. Quem não pode me faltar sou eu mesma. Mais ninguém. E isso só depende de mim.

Olha só:

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                         Paranóico é o sujeito que acha que o mundo conspira contra ele. Nessa visão delirante, tudo gira em torno de si. Ele possui a certeza de ser o umbigo do universo… (…) Dizemos que ele tem delírio de perseguição, pois trata-se de alguém sempre alerta, que precisa ficar espero para não sucumbir. Mais triste é dar-se conta da paranoia cotidiana entre aqueles ditos normais. Boa parte do tempo os outros não querem nosso mal, nem nosso bem, simplesmente estão ocupados com outra coisa que não nossa pessoa. Os outros são como moradores sonolentos daquela casa: até abrir a porta e escutar o que queremos, não estão nem aí para nós. Mas, uma vez informados de nossos pedidos, necessidades e queixas, em geral há em volta gente boa com quem contar.

Este é um trecho da crônica de Diana Corso na revista. Chama-se A História do Macaco. Fala sobre julgarmos os outros através da nossa tristeza e mau humor. E não é bem assim?

Este post tratou de coisas que vieram a minha mente quando li a revista e nele há influência de pelo menos três textos diferentes. Aconselho a todos a edição de Julho.

Anúncios

Um pensamento sobre “Uma tarde para refletir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s