De olhos fechados

Ele talvez não fosse um cara-padrão. Mas, ele era um cara… É um cara. E só por ser um cara, o pé tem que estar lá, no freio. “Ah que exagero, dá uma chance, não te fecha!”. Não é o que as pessoas sempre te dizem, minha amiga? Então. Dizer é simples. Viver é que é foda.

Gostar de alguém é se atirar em um precipício, com vendas nos olhos, sem saber a altura nem o que tem lá embaixo. Tu sabes que vai cair, só não sabe onde. Pode ser na água, pode ser no mato… pode ser também num macio e mega colchão de ar. Pode ser muita coisa. O fato é que tu não sabes. Ou fica parado ou vai em frente. Não tens a opção de tirar a venda dos olhos e mesmo que o faça, a neblina é tão intensa que nada fica visível… Então, pra não ficar parado – porque dizem que não é o melhor a fazer – tu andas. Em passos lentos ou aflitos, tanto faz… vai caminhando em direção ao desconhecido. E ele parece tão atencioso, amoroso, cheiroso, aconchegante e diferente de tudo o que tu conhecias até então…

Não acho que seja errado caminhar. Tampouco se atirar no desconhecido. Nada nessa vida é, afinal, conhecido. Realmente, isolar-se é cômodo. Lidar comigo mesma e com o espelho é relativamente fácil – a não ser naqueles dias em que acordo com uma espinha ou com o cabelo ruim. Sei como conviver comigo, meus gatos e minhas manias. Tenho amigos, sei me divertir. Posso suprir minhas carências de mulher de vez em quando, quando bem entender. Cômodo. Só que o ser humano tem uma necessidade tosca de amar daquele jeito que muitas vezes nos faz bastante mal. E bem também, vai… Mas, mesmo que não existam culpados em uma história que “não dá certo”, sempre fica um gosto de “pra que fui sair da minha zona de conforto de novo??”. Além disso, o ser humano é precipitado. Ele diz que sente sem na verdade sentir. Ou, ouve mais do que deve ouvir. Enfim, somos todos tortos mesmo.

O fato é que, mesmo que ele seja diferente dos outros, ele é ele. Homens e mulheres são diferentes entre si e sempre serão. Talvez o segredo do entendimento dos relacionamentos é esse: aceitar que para os homens é difícil lidar com certas coisas. Eles vão se ausentar. Eles vão se calar quando tu precisares ouvir e eles vão se afastar quando se sentirem confusos. Como bichos acuados. Talvez eles falem sobre o assunto. Talvez não (e a maioria não fala). Começo a pensar que a vida é mesmo assim e não podemos contar com a tal da evolução da espécie…

A única coisa certa nessa vida é que, invariavelmente e leve o tempo que levar, tudo passa. E, quando menos se espera, tudo recomeça e tu já estás lá, caminhando rumo ao desconhecido outra vez…

*texto não específico, com pingos de realidade e muitos outros de vivência.

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