Da viagem que é viajar…

Viajar sempre foi bom para mim. Dia desses me dei conta de que eu não nasci em situação financeira compatível com a minha vontade de conhecer lugares. Não nasci nem me encontro perto de uma situação desejável a esse respeito. Enfim… bora trabalhar para isso.

O caso é que mesmo que a viagem seja para uma cidadezinha do interior do meu Estado, ta valendo. É o caso do local onde me encontro agora, às 23h do dia 31 de outubro de 2009. Após uma semana cheia de turbulência emocional e material, decidi vir para essa cidade tranqüila da Serra. Estou aqui num local onde não há sinal de celular e muito menos de internet. Escrevo no Word para depois passar para o blog. Um texto defasado, não instantâneo, mas verdadeiro. Enquanto a maioria foi em busca do calor e das festas do litoral, eu vim pra cá.

Poço Redondo é o nome do “buraco” onde estou. Digo isso pois é literalmente um buraco. Enfiado no meio da mata e na beira de um rio, é um local onde cabanas repousam tranqüilas com algumas pessoas nelas, outras simplesmente vazias. O que predomina aqui é o chuá ininterrupto do rio. É como se chovesse. É aflitivo e ao mesmo tempo reconfortante esse barulho que a correnteza da água faz . Aqui, a gente só ouve isso e os próprios pensamentos.

Nessa parte, eu fico meio preocupada. Ouvir meus pensamentos nem sempre é algo que me faz bem. Preciso tomar resoluções sobre certas coisas e simplesmente não consigo. E não consigo porque não queria fazer isso sozinha. Nem sempre todas as decisões dependem só da gente. Algumas coisas precisam ser conversadas. Certos tipos de palavras não podem ser jogadas pra cima de ti… não de uma forma que você não consiga digerir na hora. Certos momentos não podem ser empurrados pra depois. Mas como nem tudo depende do esforço da gente, essas coisas acontecem… e não importa o quanto você seja legal, sincera, inteligente, respeitosa, leal e mais uma pá de coisas. Não importa. Essas coisas acontecem.

Não gosto de imaginar coisas. Não gosto de tirar conclusões sozinha. Não gosto de não ter outra opção a não ser esta. Espero ter outras opções. É, ainda espero.

Andar no meio desse mato, ser picada por mosquito, fugir de perereca, olhar a correnteza desejando que ela leve tudo de pesado que existe dentro de mim… tudo isso é o que consigo fazer nesse lugar. Tentando viver um dia de cada vez. Intensamente um dia de cada vez. Sem me cansar. Essa é a tarefa. Apenas essa.

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Texto escrito em 31 de outubro de 2009.

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2 pensamentos sobre “Da viagem que é viajar…

  1. Teu texto sobre o rio fez eu me lembrar de um dos meus livros preferidos. Sidarta, do Hermann Hesse, fala de uma pessoa que descobre a sabedoria da vida observando o rio. Tudo segue em frente, a vida nunca para, como a correnteza do rio. Grande lição.

    Que bom que tu podes recarregar as baterias num lugar tranquilo, ainda que tenha voltado precisando de fenergan. 🙂

    beiju

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