Benjamin Button: tem que ver

Vi O Curioso caso de Benjamin Button ontem. Filme interessante. Não me atraiu nele apenas a presença do Brad Pitt, que além de lindo é um ótimo ator. Quando li a sinopse do filme, há algumas semanas, a história me chamou a atenção. É o caso de um homen que nasce em um corpo velho e vai rejuvenescendo ao longo de sua vida.

O filme é delicado, tem passagens que são como socos na boca do estômago e uma fotografia linda. O destaque, a meu ver, são as cenas noturnas. Luz linda. Mas fora isso, emocionou-me bastante o fato de que o Benjamin teve que se acostumar à idéia de que veria muitas pessoas a quem amava partindo antes dele. Às vezes a gente se pega revoltado com a vida e com o fato de ela ser como é. Há momentos em que queremos viver mais, menos, sermos imortais ou onipresentes. Já pensaram quão triste isso poderia ser?

Benjamin teve uma filha que não pôde ver crescer pois enquanto ela crescia, ele envelhecia por dentro enquanto seu corpo ficava cada vez mais jovem. Em uma das cenas, quando a filha lê postais que ele escreveu pra ela falando de todos os momentos que ele gostaria de ter acompanhado, me lembrei muito do meu pai. Explico: é uma dádiva podermos ter lembranças das pessoas que se foram. Eu pude ter meu pai ao meu lado. Ah… não foi tanto tempo quanto eu queria? Não. Mas foram mais de 25 anos. Que egoísta seria eu se desejasse que ele estivesse para sempre aqui. Porque se assim fosse, ele teria de assistir a minha morte. E a de tantas outras pessoas a quem amava.

Vendo esse filme, saí do cinema com aquela sensação de “as coisas são como tem de ser mesmo”. Tem uma frase que é dita umas três vezes ao longo do filme e que resume bem tudo isso e talvez resuma mesmo o modo como deveríamos encarar nossas vidas. É algo assim:

“Você pode ficar louco como um cão raivoso com o modo como as coisas acontecem… Xingar, amaldiçoar a sua sorte, mas quando chega o fim… tem que aceitar”.

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8 pensamentos sobre “Benjamin Button: tem que ver

  1. Olá.

    Que bom que vc ressurgiu na net e espero que tenha me perdoado pelo comentário bobo anterior.

    Gostei do filme também: ele dá margem a muitas reflexões, e não farei nenhuma aqui, fique tranqüila.:)

    Gostei, pra variar, de sua sensibilidade ao escrever o texto.

    Abs.

  2. Quero ver esse filme também!
    Sabe que essa tua frase final gera uma briga dentro de mim quase sempre: o que espera de nós a condescendência e o que merece a luta?
    Cada vivência é um aprendizado sobre isso.
    Bejo e aproveita ae! 🙂

  3. Sou completamente viciado em cinema. Assisto quase tudo. Quando o filme é ruim, a pipoca salva o programa 🙂
    Também achei o filme muito bom.
    Estranhamente, a fotografia não me chamou a atenção (tenho que ver de novo)…e, naturalmente, nem o Brad Pitt 🙂
    E saber aceitar com dignidade o que está reservado pra nós é um negócio que diferencia as pessoas.
    Quantos dramas pessoais carrega a caixa do Supermercado onde eu acabei de fazer compras, ou o lixeiro que mantém a minha calçada limpa?

  4. Eu gostei especialmente do filme por conta de duas perspectivas. A primeira é também a que você colocou. É duro ver as pessoas partirem. Benjamin teve que se acostumar não só a ver as pessoas mais velhas morrerem, mas também as pessoas de sua própria idade declinarem em sua saúde, deixarem o caminho de ‘ascensão’.

    A segunda questão é a de querermos sempre estar em um aspiral de ascensão. Estamos querendo sempre melhorar fisicamente, intelectualmente. Não sabemos lidar com o declínio, e temos a ilusão de que se estivessemos ficando mais jovens enfrentaríamos de melhor forma não só a morte, mas todas as demais circunstâncias da vida.

    Doce ilusão. Somos demasiadamente humanos para isso e, graças, somos finitos, o que nos dá uma urgência em relação a vida fundamental, que pode ser o combustível para tantas realizações…

  5. No nosso texto, publicado um pouco depois do seu, mas sem conhecê-lo, comentamos exatamente a mesma cena, aliás inexistente no conto que inspirou o filme.
    Algumas pessoas talvez fossem menos mesquinhas se tivessem consciência da inevitabilidade da morte.
    Parabéns pela sensibilidade.

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