Saudade…

Sempre admirei aquelas pessoas que pegam sua dor e a transformam em algo construtivo. Não só para si mesmas, mas para as pessoas ao seu redor. Fico emocionada quando vejo coisas desse tipo. Foi assim que fiquei ao ler o para Francisco. Vai lá e entenda o que falo…

Sorte tem esse pequeno menino, o Francisco, que poderá ler tantas coisas bonitas sobre seu pai. Hoje fico me perguntando se eu sei o suficiente sobre o meu. Sei o que ele contava sobre sua infância e juventude difíceis, sobre a relação de distância com seu pai – meu… avô (?). Sei que sempre trabalhou muito para conquistar o que tinha. Não teve a oportunidade que eu tive de cursar faculdade e tudo mais, mas tinha muita curiosidade a respeito de tudo. Tanta que eu às vezes até ficava impaciente! Era alegre, mesmo que as dificuldades existissem. Acho que não cheguei a dizer isso a ele, mas eu sempre o admirei muito por isso. Espero que ele saiba, de alguma forma…

amor eternoMeu pai morreu no dia 17 de dezembro de 2006. Acho que uns dois meses antes, no máximo, eu comprei a câmera que me introduziu de fato na fotografia. Com ela eu parei de fotografar apenas encontros com amigos e comecei a registrar a natureza, os detalhes, os ângulos inusitados daquilo que a gente vê todo dia mas nem nota direito… Meu pai não chegou a ver minha evolução. Hoje quando faço uma foto e corro pro note para vê-la em tamanho maior, sempre lembro do meu pai e do quanto ele apreciaria o meu trabalho. Tenho certeza que apreciaria. Porque ele me incentivava a tudo. Ele me elogiava, tinha paciência comigo até quando eu não tinha com ele.

Não deve ser por acaso que eu me dediquei mais a isso depois que meu pai se foi… Fotografar, para mim, sempre é uma forma mais leve de levar a vida quando ela começa a pesar. Mas é estranho não poder mostrar a ele as coisas e pessoas lindas que eu conheço e que acabam parando “dentro” da minha câmera. É estranho. E será para sempre.

O Francisco tem muita sorte. E eu quero acreditar que também tenho alguma… porque pude conviver com um homem especial por mais de 25 anos.

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4 pensamentos sobre “Saudade…

  1. Pessoas que “pegam sua dor e a transformam em algo construtivo para os outros” são absolutamente extraordinárias, e raras…
    A tua capacidade de colocar em palavras coisas tão profundas, de uma forma forte e contida ao mesmo tempo, sem pieguice, é admirável.
    Se tu tivesse uma coluna na Zero Hora, eu a leria todos os dias…logo depois da do Paulo Santana 🙂

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