O Natal e eu

Quem acompanha o Velhos Vícios há um tempo sabe que meu pai faleceu dias antes do Natal de 2006. Há muito mais tempo, uns 14 anos, o Natal já não tinha muita graça. Pelo menos não a mesma graça que ele tinha quando minha madrinha estava viva. Ela gostava de reunir todos em volta da árvore, trocar presentes e aquela coisa toda. Depois que ela se foi – e eu era guria quando isso aconteceu – confesso que o Natal sempre me trazia uma ponta de melancolia.

Então, em 2006, aconteceu tudo aquilo. Meu pai no Natal, minha avó no Ano Novo.  Naquele ano, eu havia comprado a árvore de Natal dos meus sonhos. Quase do meu tamanho, cheia de bolas coloridas e festões. Foi montada sob a observação do meu pai. Os presentes ficaram ali embaixo… A árvore foi desmontada e está guardada até hoje.

A cada dia que passa, procuro formas de lidar melhor com essas ausências – principalmente a do meu pai. Não chego a ficar revoltada com o fato de que existem muitas pessoas que adoram o Natal. Entendo que cada um tem sua própria vida e não é porque eu passei por tragédias familiares, que devo odiar uma data ou o fato de que as pessoas a adoram.  Obviamente que as lembranças vêm. Obviamente eu preferiria estar com ele ao meu lado, preparando a ceia e tudo mais… mas não é assim. Não é assim e não mudará. A vida tem que continuar para quem fica. E se o Natal não é ideal, tenho que fazê-lo ser do melhor jeito que der. 

Mas eu não mandei cartão virtual pra ninguém e também não comprei presente. E espero que os amigos entendam que para mim ainda não é natural agir diferente disso. Uma coisa que eu já pensava muito antes de 2006 é que não devíamos dar tanta importância a uma data apenas. Não deveríamos esperar o ano inteiro para ficarmos carinhosos, fraternais e solidários. Não deveríamos. Entretanto, espero que todos aproveitem essa data com as pessoas que lhe são queridas.  Eu farei isso.

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5 pensamentos sobre “O Natal e eu

  1. Vou confessar que já gostei muito mais do Natal, principalmente quando eu não tinha pais separados. Primeiro porque naquela época eu ainda era criança e acreditava no bom velhinho e tudo parecia mais divertido. Os presentes que apareciam “do nada” embaixo do pinheirinho. Truques e mais truques que meus pais inventavam (criativos que só eles!) para que a gente, meu irmão e eu, se divertisse e ficasse feliz.

    Hoje, não vejo mais tanta graça. As pessoas só se ligam no material e parecem só ser carinhosos, fraternais e solidários (usando suas palavras) nessa data. Não gosto disso. Parece que no resto do ano esquecem do “por favor”, do “obrigada”, do “por nada”, etc.

    Acho que, realmente, só vou ver graça no Natal denovo quando eu tiver um filho. Mas mesmo assim quero mostrar pra ela (queremos uma menina, haha) que não é só no Natal que devemos ser “legais”. Mas enfim, ao menos vai ser divertido aquele negócio da felicidade da criança ao montar pinheirinho, por exemplo, exatamente como vejo no rosto da minha irmãzinha de quase 2 aninhos.

    E aproveito para te disejar um 2009 ainda melhor que 2008! 😉 Qualquer coisa, berra. Quem sabe a gente não se vê em fevereiro, não é? 😀 Beijocas.

  2. Também não gosto de Natal, mas amava quando era criança e ia para a casa da minha avó (mãe da minha mãe), nossa era um festa, um baita presépio, muita alegria, a família toda reunida… Depois que minha vó morreu (há 17 anos) cada um dos 6 irmãos da minha mãe foi pra um lado. Só tem um que é mais chegado e sempre passa o Natal aqui em casa, mas nunca vai ser a mesma coisa.

    E quanto as ausências, na minha vida toda, eu perdi essa minha vó e uma prima da minha idade (há 4 anos atrás, no dia do meu niver), sabe aquela pessoa super animada, pra cima, alegre, festeira? Ela era assim. E em qualquer “comemoração” é impossível não pensar que se a Gi tivesse aqui as coisas seriam um pouco mais leve.

    Só nos resta ter força pra seguir em frente, sempre!
    Bjo

  3. Bom, lá vou eu comentar por aqui. Por que faço isso? 🙂
    Meus últimos natais foram um pouco estranhos. Pais separados, avós falecidos e tudo o mais.
    Ontem, porém, comemoramos o natal numa ceia, onde o núcleo da família se reuniu: eu, pai, irmã e mãe. Foi divertido e improvisado, mas quebrou o tabu.
    Eu adoro natal, adoro dar presentes e recebê-los. Gosto da desculpa para entrar em contato com gente que estava sumida da minha vida e de encontrar a família. Ainda bem que as situação se normalizou.
    É isso.
    Ps: às vezes, espero o natal passar para dar os presentes, pois os preços caem e as filas idem 🙂

  4. O que incomoda no Natal é a “obrigação de estar feliz” (Ano Novo é até pior nesse aspecto) e a “obrigação de dar presentes”.
    Sabendo conviver com isso, são ocasiões legais 🙂
    Há 3 anos não dou presentes.
    Acho que Natal não é isso.
    É questão de acostumar…e acho que estou conseguindo.
    São oportunidades para parar um pouco, se juntar com quem a gente gosta…sabe como é…
    A perda de alguém tão próximo é como perder um pedaço de si próprio, e é muito recente ainda…mas, com o tempo, vai amenizando.
    E “aquilo que não nos mata, nos deixa mais fortes” 🙂

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