Velharia

Fazendo jus ao nome deste humilde blog, publico abaixo um texto antigo. Se meu windows não estiver errado, ele é de maio de 2006.

Estar só: questão de escolha.

Solidão. Um conceito, um estado, uma escolha de vida. Estar entre milhões de pessoas e sentir que nenhuma delas te faz companhia. Podemos diminuir o número: dezenas de pessoas. Estar entre alguns amigos e sentir-se só. Quantos de nós temos essa sensação todo dia? Quantas vezes? Egoísmo ou simplesmente falta de visão sentir-se assim?

A pressa, o trabalho, a faculdade e todas essas outras desculpas que usamos para justificar nossa ausência na vida das pessoas podem ser os culpados pelo nosso estado de solidão. Às vezes nos encontramos sozinhos enquanto poderíamos estar verdadeiramente acompanhados. Não por um contato no outro lado da tela de um computador, nem por desconhecidos numa balada de sábado à noite. Acompanhados de amigos ou daquela pessoa que nos ama enquanto nós sequer enxergamos que são essas as coisas que valem a pena. E, principalmente, estarmos acompanhados de nossa paz interior.

Não, eu não vou falar de religião nem de encontro com deuses. Meu assunto é bem terreno. Paz interior é ter sangue frio para não enlouquecer diante das injustiças; é ter discernimento para entender que nem todo mundo tem os mesmos princípios de vida que você tem; é ser tolerante para perdoar e esquecer as idiotices que as pessoas fazem contra você; é entender que na vida há situações que não podemos controlar e que vão sim nos fazer sofrer até quase definhar. Precisa de religião pra isso? Não sei, fica a critério de cada um. Acredito que mais importante do que a religião é a vida que cada um de nós escolhe levar. Os caminhos que percorremos. As lições que aprendemos com nossas experiências. São elas que nos levam à paz interior. Ou não.

Quero estar acompanhada dessa paz que ainda não encontrei para que possa estar sozinha e ainda assim feliz. Para que possa estar no meio de uma multidão e ainda assim saber que sou uma pessoa importante naquele contexto e que não estou só. Para que eu possa lembrar todo dia que pelo menos uma pessoa sempre estará disposta a me dizer que não estou sozinha.

E essa pessoa pode ser você. Na minha vida ou na de alguém. Essa pessoa até pode ser eu mesma. Acredito que, para que possamos observar o quanto somos cercados de pessoas especiais, temos que estar confortáveis conosco mesmos. Saber que você mesmo é a sua melhor companhia e a pessoa que mais deve te amar. Mário Quintana estava certo quando dizia que devemos cuidar do jardim para que as borboletas venham em vez de corrermos atrás delas.

Cuidemos todos de nossos jardins e estaremos cercados de borboletas!

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3 pensamentos sobre “Velharia

  1. Puxa, um texto tão bonito chamado de velharia só porque é de 2006… Me sinto um verdadeiro “homem da idade da pedra” quando tiro do baú coisas escritas em 1981, 82, por aí! Enfim, coisas que uma certa solidão explica – nada mais solitário do que a gente nos momentos em que está escrevendo…
    Ótima semana, até mais,
    Adh

  2. Dona Jac, li esse teu texto dois dias atrás e ele não me saia da cabeça. Eu gosto de ficar sozinha. E não me importo de fazer coisas sozinhas, ir a cinemas, shows, parques, praças… Confesso que às vezes quero companhia, pq algo, lá no fundinho me incomoda… É essa paz que tu cita no teu texto! Talvez por isso ele ficava latejando na minha cabeça.
    Bjão! Te adoro guria

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