
Houve um tempo em que eu não conseguia demonstrar carinho. Meu jeito de ser era mais fechado, mais duro. Acho que a vida e seus acontecimentos foram me mostrando que a gente deve mesmo é ser carinhoso com as pessoas que gostamos. Porque no final das contas, isso faz bem. Pra quem dá e pra quem recebe o carinho. Cada vez mais eu percebo que mais importante é o que eu sou de verdade. Não importa muito nem se tal pessoa merece o que dou a ela. Se eu estiver fazendo bem e de coração, é o que importa. Porque tudo na vida tem volta.
Mas isso tudo é aprendizado diário. E pesado. Não é fácil. Não é, porque às vezes você não cresceu com uma família amorosa, foi mais criticado do que elogiado ou nem isso… ou, em outras vezes a família até é amorosa, mas nunca fala sobre sentimentos. Isso chega a ser ambíguo né. As pessoas se amam mas não dizem. Eu nunca disse ao meu pai que o amava. Porque não cresci ouvindo isso embora tenha total certeza de que ele sentia isso. Tudo questão de costumes… o mesmo acontece em relação a minha mãe.
Não é simples – ao menos para a maioria das pessoas – expor sentimentos. Geralmente a gente fica com vergonha, fica pensando no que o outro vai pensar. Mas, vergonha de que afinal? E o que o outro vai pensar… ah… tenho absoluta certeza dee que são esses medos idiotas (e eu os tenho, todos) que nos fazem ficar parados tantas vezes num lugar só… Essa semana eu senti isso. Falei e depois pensei “ops, será que fiz certo?” Mas era o que eu tinha vontade de fazer! Era o que eu precisava fazer. E era sincero. Porque afinal isso seria ruim? Por alguns segundos me questionei sobre o que a outra pessoa poderia pensar… tanta bobagem. Nessa hora, quando o sentimento é bom, a gente não pode ficar imóvel por medo do que o outro pensa. Porque o medo te demove das tuas vontades e certezas. E com medo a gente não consegue prosseguir nem agir de acordo com o que realmente somos.
Gosto de conseguir fazer assim. Ousar um pouquinho mais a cada dia. Sem esperar nada em troca, sem ilusões. E sempre, sempre sem jogos e máscaras. Só sendo o que eu sou. Gosto de olhar pra trás e ver que mudei muito em alguns anos. Não só porque já sofri muito por amor ou por desamor, ou porque meu pai morreu, ou porque eu estive perto da morte uma vez… A mudança significativa veio em cada vez que tive que decidir o que fazer com alguma dor. A mudança vem quando tu te dás conta do que é a vida. Aí é que faz diferença. Eu aprendi e evoluí, sem falsa modéstia. Dei-me conta de que a vida é curta e de que não dá pra perder tempo pensando “ah eu não direi isso porque senão ele vai se achar muito…” ou “um dia eu falo isso…” ou “depois eu vou lá vê-lo, depois eu ligo”… Que depois?! Não dá pra deixar certas coisas pra amanhã. Não dá. Quanto tu vês, o depois paft, não existe mais.
Ainda não cheguei no meu ideal… ainda tenho medos, receios, vergonhas. Tenho e muitos. Mas eu sigo buscando o meu equilíbrio.
Mês que vem faz 3 anos que meu pai saiu de casa numa sexta-feira, depois de me dar um abraço, e nunca mais voltou… Esse foi o depois.





Olá,
Passando pelo wordpress vi seu texto no meu navegador de tag e resolvi ler…
Ainda bem q fiz isso…Excelente texto. Acho que me identifico com sua fase e é legal saber como outras pessoas encaram esse desafio do depois..
Parabéns
Bju
Sempre achei que o meu maior problema é não saber demonstrar o que sinto, ser fechada demais. Sempre fico com a sensação que perdi oportunidades e pessoas…
Bju. Sempre é bom te ler!
Oi!!! quase um mês sem ler um texto seu…
sinceramente: não dá para imaginar, mas acontece…
Concordo “ipsis litteris” com seu post. Na maioria das vezes somos tomados por estes “medos” e ficamos sem saber o que realmente fazer, ou se o que queremos fazer é verdadeiramente o correto a se fazer. Mas, e dai? como ter certeza do resultado? Na verdade não existem garantias de absolutamente nada… Uma vez li uma frase, que dizia mais ou menos o seguinte: “O grande risco da vida é deixar o tempo passar; dar as costas à felicidade (ainda que incerta), simplesmente por medo daquilo que vamos enfrentar.”
Quem sabe um dia a gente acerte?
Como sempre, um belo texto…
Grande abraço!