Dia desses, enquanto estava no banheiro da empresa, ouvi uma mulher comentar:
Frio é só pra rico!
Tem feito bastante frio aqui no Sul (leia-se Porto Alegre, de onde escrevo neste momento) e, enquanto algumas pessoas ovacionam o inverno, eu o abomino. Abomino este frio principalmente quando penso na quantidade de gente que dorme (?) nas calçadas, cobertas com uns poucos panos, sem meias ou qualquer outra roupa mais quente. Todo dia de manhã vejo alguma cena dessas.
Se eu, lá no quentinho da minha cama, sinto frio, imagine essas pessoas… Quando vejo esse tipo de coisa, fico me perguntando o que posso fazer, do alto da minha insignificância, para melhorar um pouco esse mundo cruel… Sinto, sempre, que faço muito pouco.
É fácil dizer que o inverno é uma maravilha quando a gente não pensa no que acontece além dos limites do nosso edredon, lareira, lençol térmico e aquecedor… Eu sei, se a gente for pensar em todas as desigualdades sociais, nunca poderia se permitir comer uma guloseima, dormir numa boa cama, fazer um passeio ou qualquer outra coisa que uma pessoa que viva com dignidade tem o direito de fazer. Mas eu cada dia mais me sinto menos confortável em reclamar ou festejar muito o frio ou o calor ou qualquer coisa que seja… É isso. Acho que a impotência diante de problemas tão grandes acaba nos deixando com vergonha de viver do nosso modo. Como se não tivéssemos direito de usufruir de algo básico, mas que outros não tem.
Minha mãe me disse noite dessas que juntou roupas e cobertores para levar a moradores de rua de Porto Alegre. Deve fazer isso esta semana. Não poderei ir, mas fiquei contente. Pelo menos podemos fazer um pouco por eles. É claro que fiquei preocupada também. Assim como existem pessoas de boa índole mas com más condições de vida, também existe a violência e a insegurança. E muitas vezes é por isso que as pessoas acabam se trancando no quentinho de suas casas: por medo. Não posso culpá-las, afinal. Enfim, disse a minha mãe para não ir sozinha e tomar cuidado…
O inverno mesmo começa hoje. Espero que ele não seja tão cruel conosco.





Sobre bússolas e endereços
Não é fácil mesmo saber e só saber dessas pessoas. No entanto somos tão co-responsáveis, que não basta ogerizar o inverno, né?
A conscientização é um passo antes do ideal, que é sentir-se parte do problema. Nobre, muito nobre mesmo. Mas é possível fazer mais…
E não é tirar a roupa do corpo, não é ser um São Francisco equivocado. O instrumento que vc tem (ou quase, segundo a descrição sob a foto) é um grande aliado.
gostei do blog
Abs
tenho sentimentos parecidos com os teus.
ontem mesmo, senti-me péssima. passei o dia resmungando porque talvez esse ano não role viagem pra serra. mas, pô! tem gente que não tem dinheiro nem pra um agasalho. pra beber algo quentinho. pra um teto.
ao mesmo tempo, convivo com os “milionários” da bela vista.
sempre digo, a injustiça social é o pior dos males.