Quem é que explica o fato de uma música fazer brotar lágrimas dos olhos, apertar o coração. Fazer sorrir e chorar. Curar e ao mesmo tempo abrir todas as feridas. Quem? Será que tem explicação? Será que isso é normal ou eu que sou sentimental demais?
Tanta dúvida só me suscita uma certeza: a música me faz viver. Eu não sei tocar um instrumento que seja, apesar de ter um violão em cima do guarda-roupas e cantar, só no chuveiro e em algum videokê da vida de vez em quando, por brincadeira. Também não componho. Ou seja, meu contato com a música resume-se ao ouvir. Mas, acho que quem faz música também ouve muita música né?
Viver porque viver é lembrar, sentir, sofrer, sorrir, amar, odiar, arrepender-se e tantos outros verbos que me faltam agora… Viver é tudo isso e tanto mais… Viver é foda, como já disse o Renato. Mas, no final das contas, viver é bom. Até porque eu não conheço a morte.
Santa Chuva é assim. Me puxa pra vida. Me tira daquela anestesia do dia-a-dia. Da mecanicidade do cotidiano. Essa música me grita aos ouvidos para lembrar tudo aquilo que quero esquecer. E me faz chorar e me faz sentir. E me faz, portanto, viver.
Às vezes a gente esquece que viver nem sempre é buscar a felicidade. Na verdade, eu concordo com os filósofos que dizem que a felicidade é temporária. Mas, isso não vem ao caso. O que quero dizer é que não dá pra fugir da dor o tempo inteiro. Às vezes a gente tem que encara-la de frente. Ir ao encontro dela. Se a gente foge o tempo todo, desaprende a sentir.
Hoje eu vi o show dessa moça. Chorei, sorri, dancei, me arrepiei. Vivi! Digam o que quiserem dizer sobre a Maria Rita. Para mim, hoje, ela é a maior cantora do Brasil. Elis ficaria muito orgulhosa da filha que tem.
Aquele vestido multicor balançava pra lá e pra cá num transe familiar. As luzes, os músicos, a platéia. Tudo vibrou na mesma sintonia. As lágrimas da cantora, os soluços da platéia. Lágrimas silenciosas me caíram pelo rosto. Misto de alegria e pesar.
Tanto senti nesse show, que me sinto abastecida para os próximos dias, ou talvez meses. Ou talvez até o momento de vê-la novamente.





Música. Sim.
Não tem como explicar o poder da música. Meu humor muda quando fico muito tempo sem ouvir algo. É um vício que precisa ser alimentado, renovado e até mesmo expresso – seja lá como for. Assim como os sentimentos.
Parabéns pelo texto.
Rodrigo
É verdade…canções nos remetem a vários lugares, a velhas reminiscências, a sonhos vividos ou não e, inevitavelmente, a alguns pesadelos. Fazer o quê? Desempenhadas ao vivo, com força e sentimento ímpares, então, chegam a nos tirar do corpo. E isso é muito bom. Como tu disse, faz a gente se perder da rotina, pelo menos por alguns instantes. Bom mesmo é te ver (ler) falando em viver novamente. Há alguns comentários atrás – já faz uns meses – eu sugeri que talento nato não morre. Tu redescobriria o teu. E não é que ele esta aí, vivo, colocado de forma magistral nestas palavras? Como fico feliz.. tuas frases estão sorrindo de novo.
Beijo, Mo’ Cruishle!
Anonymous Chris
Tantos sentimentos, novos, velhos, vícios, virtudes,belos,malditos.
É bom estar de volta.” porque e a gente foge o tempo todo desaprende a sentir” expressou tudo, como sempre.
beijos
Os filósofos e as pessoas que concordam com a referida afirmação o dizem porque nunca souberam viver a verdadeira felicidade. Ou não, como diria Caetano. Olha a música aí!!
8 quilos?! Tava feio o negócio, hein?!
Abraços,
Eliseu
Eliseu?